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23.03.2026 09:02 PM
XAU/USD: Análise e previsão

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Desde o início de março, o preço do ouro acumula queda superior a 20%, apagando por completo os ganhos registrados no início do ano. No curto prazo, é provável que a pressão vendedora persista, diante da postura mais restritiva dos bancos centrais, o que pesa negativamente sobre o metal precioso.

À medida que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã se prolonga, a alta dos preços do petróleo eleva as expectativas de que bancos centrais ao redor do mundo voltem a adotar políticas mais restritivas para conter a inflação. A mensagem-chave das reuniões da semana passada foi a priorização do controle da inflação em detrimento do crescimento econômico, o que implica manutenção de juros elevados por mais tempo ou novos aumentos de taxas.

O Reserve Bank of Australia (RBA) elevou sua taxa na semana passada e projetou que a inflação permanecerá acima da meta até 2027–2028, abrindo espaço para novo aperto. O Banco do Canadá também sinalizou disposição para elevar as taxas a fim de conter pressões inflacionárias renovadas, apesar da incerteza econômica.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, deixou em aberto a possibilidade de um aumento de taxas em abril. O Banco da Inglaterra confirmou sua disposição para agir diante dos riscos de inflação, das perturbações nas cadeias de suprimento e da alta dos custos de energia provocada pelo conflito no Oriente Médio. Os mercados passam agora a precificar 80 pontos-base de aperto até o fim do ano — equivalentes a três aumentos de 25 pontos-base — em contraste com as expectativas de cortes de taxas de apenas um mês atrás.

O Banco Central Europeu (BCE) destacou os riscos de um aperto monetário mais acentuado e a possível retomada de aumentos de taxas no segundo e no terceiro trimestres, em meio à disparada dos preços de energia.

O Federal Reserve dos EUA revisou suas previsões de inflação para cima, forçando os investidores a reduzir bruscamente as expectativas de cortes de juros. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de cortes até o final do ano é agora nula.

O que isso significa para o ouro? Mudanças rápidas nas expectativas de juros refletem-se nos mercados de títulos — concorrentes diretos do ouro como ativos de refúgio. A forte alta dos rendimentos globais tornou os títulos mais atraentes, desencadeando liquidações por parte de grandes instituições e pressionando os preços do ouro. Isso diverge da reação típica em períodos de incerteza, quando o metal costuma se valorizar.

Do ponto de vista técnico, a recente queda dos preços do ouro encontrou suporte na média móvel simples (SMA) de 200 dias — um nível-chave. O Índice de Força Relativa (RSI), no timeframe diário, entrou na zona de sobrevenda pela primeira vez desde outubro de 2023. Embora isso possa indicar um repique de curto prazo, a queda acentuada do RSI, partindo de níveis acima de 60 em poucos dias, evidencia forte pressão vendedora. Ao mesmo tempo, condições de sobrevenda sinalizam potencial para uma correção.

O indicador MACD permanece abaixo da linha de sinal, em território fortemente negativo, com um histograma baixista em expansão, reforçando o momentum descendente.

Para enfraquecer a tendência baixista e abrir caminho rumo a US$ 4.840, o preço precisa consolidar acima de US$ 4.500. Caso não consiga se manter acima da SMA de 200 dias, o risco de nova queda em direção ao patamar de US$ 4.000 permanecerá.

Irina Yanina,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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