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Não conte com algo antes de acontecer. O mercado acionário dos EUA está celebrando o fim da guerra no Oriente Médio — um conflito que, no entanto, pode estar prestes a recomeçar.
Forças americanas apreenderam um petroleiro iraniano no Estreito de Ormuz, apesar de Teerã afirmar publicamente que a principal rota petrolífera do mundo permanece aberta ao tráfego comercial. A Casa Branca, porém, tem uma leitura diferente da situação: o presidente dos Estados Unidos ameaçou bombardear pontes e centrais elétricas caso um acordo de paz não seja firmado. Diante desse cenário, o S&P 500 tinha realmente motivos para celebrar?
Séries de vitórias do Nasdaq 100
O petróleo está significativamente mais caro do que antes do conflito. Os rendimentos dos Titulos do Tesuro Americano também estão mais elevados. As condições financeiras estão mais apertadas e, ainda assim, o índice amplo vem registrando máximas históricas por três dias consecutivos, enquanto o Nasdaq 100 acumula 13 sessões seguidas de alta — a sequência mais longa desde 2013.
Paradoxal? Os touros argumentam que os mercados simplesmente se adaptaram a esse ambiente. Na prática, porém, o rali tem sido impulsionado pelo FOMO (medo de ficar de fora), que, por natureza, envolve riscos.
As expectativas de resultados corporativos sólidos no primeiro trimestre, combinadas com valorizações mais baixas, reforçam o apelo comprador no S&P 500. No pico de outubro, o P/L forward do índice estava em 23; desde então, recuou para 20. A compressão do múltiplo foi ainda mais acentuada no setor de tecnologia.
Dinâmica do P/L do setor de tecnologia
Tipicamente, a queda dos múltiplos P/L é vista como um sinal de alerta — ocorre em períodos de recessão, quando Wall Street revisa para baixo as projeções de lucros e as ações são vendidas diante de preocupações com o desempenho corporativo. Em contrapartida, a expansão dos múltiplos preço/lucro reflete otimismo: as expectativas de lucros aumentam, as ações se tornam mais atrativas e o fluxo comprador impulsiona os preços.
Desta vez, a contração do P/L resulta de uma combinação de preços mais baixos e revisões em alta das projeções de lucros — especialmente nos setores de petróleo e gás e de tecnologia. Esses segmentos passaram por forte volatilidade: as chamadas "Sete Magníficas" caíram cerca de 17% até o fundo de março e, posteriormente, recuperaram aproximadamente 20%.
A Microsoft é um exemplo claro: a ação recuou cerca de 34% em relação à máxima de outubro e, em seguida, avançou cerca de 19%.
O Goldman Sachs argumenta que, para que a alta do S&P 500 continue, os bancos centrais precisarão retornar às posturas que adotavam quando o conflito começou. No final de fevereiro, ainda se discutia a flexibilização da política monetária.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o S&P 500 atingiu o primeiro de dois alvos de alta previamente definidos, em 7.100 e 7.180, permitindo a realização parcial de lucros em posições compradas. A incapacidade dos compradores de manter o índice acima de 7.100 indicaria fraqueza e poderia abrir espaço para vendas no curto prazo.