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Os preços do petróleo caíram na terça-feira e podem registrar, no segundo trimestre, o pior desempenho desde o início da pandemia de COVID-19. O principal fator por trás desse movimento é a expectativa de uma rápida recuperação do fornecimento através do Estreito de Ormuz, impulsionada pelos contatos diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã.
Os contratos futuros do Brent acumulam queda de quase 20% no segundo trimestre, com os preços recuando para a faixa dos US$ 70 por barril — uma reversão acentuada após os picos registrados na sequência do ataque militar dos Estados Unidos ao Irã no fim de fevereiro. A liquidação das posições acelerou nas últimas semanas, à medida que o mercado passou a precificar cada vez mais a possibilidade de retomada das exportações do Oriente Médio, apesar das declarações públicas contraditórias de Washington e Teerã sobre o andamento das negociações.
O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira, por meio de sua plataforma Truth Social, que "o Irã solicitou uma reunião. Ela acontecerá amanhã em Doha", e a Casa Branca confirmou que o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner viajariam ao Catar. Ao mesmo tempo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, declarou que Teerã não realizará "negociações com o lado americano em nenhum nível" nos próximos dias, enfatizando que a delegação iraniana seguirá para Doha apenas para discutir o descongelamento de ativos e o cumprimento das condições do cessar-fogo com mediadores catarianos.
Essa ambiguidade manteve os mercados em alerta, mas a tendência mais ampla — nomeadamente o memorando de entendimento assinado neste mês e a cessação mútua das hostilidades — convenceu traders e analistas da possibilidade de uma recuperação do fornecimento através do Estreito de Ormuz.
Os principais bancos também estão revisando suas projeções para baixo. O Morgan Stanley reduziu, pela segunda vez em duas semanas, sua previsão para o preço do Brent no terceiro e quarto trimestres de 2026 para US$ 75 por barril, e projeta que a commodity será negociada a US$ 70 até o final de 2027. O banco agora espera um excedente global de petróleo de 4,8 milhões de barris por dia em 2027, em meio à recuperação das exportações do Oriente Médio, à estabilidade da produção nos Estados Unidos e à fraqueza da demanda chinesa.
Da mesma forma, o Goldman Sachs também revisou suas projeções para baixo, sinalizando um consenso crescente entre as principais instituições financeiras de que o período de preocupações com a escassez de oferta está chegando ao fim.
A situação do mercado é ainda mais complicada pelas pressões políticas dos países produtores. Na semana passada, o Iraque intensificou sua atuação dentro da OPEP ao defender um aumento do teto de produção. O ministro do Petróleo, Basim Muhammad Khudair, pediu uma meta de 5 milhões de barris por dia. Segundo a Reuters, essa demanda é motivada pelas dificuldades financeiras decorrentes das interrupções nas exportações durante o conflito, bem como pelos novos compromissos de investimento na produção assumidos por BP, TotalEnergies, ExxonMobil e Chevron.
O Ministério do Petróleo do Iraque chegou a cogitar brevemente a possibilidade de deixar a OPEP caso sua cota não fosse ampliada — uma ameaça que foi rapidamente retirada, com o esclarecimento de que não refletia a posição oficial do governo. A cota atual do Iraque é de 4,378 milhões de barris por dia; no entanto, a produção efetiva é significativamente menor devido às interrupções no Estreito de Ormuz. Três autoridades iraquianas disseram à Reuters que o país pretende atingir uma produção de 7 milhões de barris por dia nos próximos anos — uma ambição que, caso a diplomacia tenha sucesso e os corredores de exportação sejam restabelecidos, poderá ter implicações significativas para o mercado global de petróleo.