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20.05.2026 04:32 PM
A valorização do dólar mantém pressão sobre o ouro, com o XAU/USD a negociar abaixo dos US$ 4.500

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No início das negociações europeias desta quarta-feira, o XAU/USD manteve-se em baixa ao longo do dia e foi negociado abaixo do nível psicologicamente significativo de US$ 4.500 — o nível mais baixo desde 30 de março.

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Os participantes do mercado continuam céticos quanto às perspetivas de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Esse ceticismo, juntamente com os riscos inflacionários e as expectativas de novo aperto monetário por parte do Federal Reserve, sustentou a procura pelo dólar, que negocia perto de máximas de seis semanas e continua a pressionar o preço do metal precioso.

Na terça-feira, o presidente Donald Trump advertiu que Washington poderá voltar a recorrer a medidas militares contra o Irã caso as negociações fracassem. Trump afirmou que esteve prestes a autorizar um ataque, mas adiou a decisão após pedidos de líderes de três Estados do Golfo.

Por sua vez, o vice-presidente J. D. Vance declarou que houve progressos significativos nas negociações e ressaltou que nenhuma das partes deseja retomar o conflito. Persistem, contudo, dúvidas relevantes sobre a viabilidade de um acordo diplomático, dadas as profundas divergências em torno do programa nuclear iraniano, do controlo do Estreito de Ormuz e das garantias de segurança.

Essas divisões continuam a sustentar o estatuto do dólar como ativo de reserva e exercem pressão baixista sobre o ouro.

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A incerteza persistente em torno das relações entre os Estados Unidos e o Irã também manteve os preços do petróleo elevados, próximos de máximas de um mês, o que, por sua vez, reforça as expectativas de inflação e aumenta a probabilidade de novo aperto monetário por parte do Federal Reserve.

Segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group, os participantes do mercado atribuem mais de 55% de probabilidade a pelo menos um aumento de 25 pontos-base na taxa dos fundos federais em 2026. Essas expectativas ganharam força após comentários da presidente do Fed da Filadélfia, Anna Polson, que afirmou que uma subida de juros seria possível caso o crescimento econômico acelerasse acima do potencial ou se as pressões inflacionárias se intensificassem.

Os rendimentos mais elevados dos títulos do Tesouro dos EUA continuam a sustentar o dólar e criam um pano de fundo negativo para o ouro, um ativo que não gera rendimento. Ainda assim, os compradores do dólar mostram-se cautelosos antes da divulgação das atas do Federal Open Market Committee (FOMC), prevista para o final da sessão norte-americana. Os participantes do mercado irão analisar o documento em busca de sinais mais claros sobre o rumo da política monetária.

Esse fator, juntamente com os desdobramentos no Oriente Médio, deverá determinar a direção de curto prazo dos mercados de metais preciosos.

No conjunto, o pano de fundo fundamental continua favorável ao dólar e aponta para um cenário predominantemente baixista para o ouro. Quaisquer repiques corretivos do XAU/USD tendem a encontrar vendas ativas e poderão ter amplitude limitada.

Do ponto de vista técnico, um fecho sustentado abaixo de US$4.500 reforçaria o cenário baixista e abriria espaço para novas quedas. Os indicadores de momentum também apontam fraqueza: o Índice de Força Relativa (RSI) permanece em território negativo, enquanto o MACD continua abaixo de zero, sinalizando perda de força compradora.

O preço segue a encontrar suporte principal junto à linha de tendência de longo prazo representada pela média móvel simples de 200 dias (SMA), em torno de US$4.365. Uma quebra decisiva abaixo desse nível abriria caminho para uma correção mais profunda, enquanto a manutenção acima dele preservaria a possibilidade de retomada da tendência de alta de longo prazo, apesar da fraqueza atual.

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Irina Yanina,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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