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Os índices acionários dos EUA encerraram a sessão de ontem em território positivo. O S&P 500 avançou 0,15%, enquanto o Nasdaq 100 subiu 0,09%. Já o Dow Jones Industrial Average apresentou desempenho superior, com alta de 0,55%.
Os mercados acionários asiáticos também avançam pelo segundo dia consecutivo e caminham para fechar a semana em alta, à medida que os investidores ampliam o foco de um grupo restrito de fabricantes de semicondutores para o ecossistema mais amplo da inteligência artificial.
O Índice MSCI Ásia-Pacífico subiu 1%, com o Nikkei japonês liderando os ganhos na região, ao avançar 2,7%. O principal destaque foi a SoftBank, cujas ações dispararam 11% após o forte desempenho da sua subsidiária norte-americana, a Arm Holdings. Já a Lenovo atingiu a máxima de 26 anos em Hong Kong depois de divulgar resultados sólidos, impulsionados em grande parte pelo segmento ligado à inteligência artificial. Os futuros do Nasdaq 100 avançam mais 0,5% hoje.
O mais relevante, porém, é a mudança estrutural por trás desse rali. Até recentemente, a alta impulsionada pela IA estava concentrada em um grupo muito restrito de empresas — principalmente fabricantes avançados de chips, como Nvidia e TSMC. Agora, os traders estão rotacionando ativamente para a próxima onda de beneficiários da IA: fabricantes de memória, empresas de robótica e fornecedores de infraestrutura. Essa transição de um rali concentrado para uma participação mais ampla do mercado torna o movimento significativamente mais sustentável. Quando múltiplos setores começam a contribuir para o impulso de alta, o rali torna-se muito mais difícil de ser interrompido por uma única manchete negativa.
Segundo a Franklin Templeton, os mercados ainda não precificaram totalmente o impacto potencial da integração profunda da IA nos processos corporativos e os reflexos disso sobre o crescimento dos lucros. Dados do Ramp AI Index reforçam essa visão: a proporção de empresas norte-americanas que pagam por modelos e ferramentas de IA acelerou fortemente nos últimos meses, sugerindo que a adoção da IA está se tornando estrutural, e não apenas experimental.
Os riscos geopolíticos, porém, continuam bastante presentes. Após três sessões consecutivas de queda, o Brent voltou a subir acima de US$105 por barril. Comentários do Irã sobre reservas de urânio e disputas relacionadas às taxas de trânsito pelo Estreito de Ormuz reduziram parte do otimismo gerado pelos recentes sinais diplomáticos. Donald Trump se opôs abertamente a qualquer tentativa de estabelecer um sistema permanente de taxas de trânsito pelo estreito. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, mencionou "alguns sinais positivos", enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, respondeu que o Irã jamais abandonaria seus objetivos. As negociações continuam, mas um avanço concreto ainda parece distante.
O ouro registrou um ligeiro recuou para cerca de US$ 4.520 por onça. O dólar americano se fortaleceu frente à maioria das moedas do G10 antes dos comentários do diretor do Federal Reserve, Christopher Waller. Enquanto isso, o iene japonês foi negociado próximo de 159 por dólar, pairando perto do seu nível mais fraco desde o fim de abril, após os dados de inflação núcleo do Japão desacelerarem mais do que o esperado.
Do ponto de vista técnico do S&P 500, a principal tarefa dos compradores hoje é romper acima do nível de resistência mais próximo em 7.474. Um rompimento bem-sucedido nesse ponto reforçaria o impulso de alta e abriria espaço para um avanço em direção a 7.494.
Outro objetivo crítico para os compradores é manter o controle acima de 7.518, o que fortaleceria ainda mais o posicionamento altista.
No lado negativo, caso o apetite por risco enfraqueça, os compradores precisam defender a região de 7.451. Uma quebra abaixo desse nível provavelmente levaria o índice de volta para 7.427, com potencial de queda adicional se estendendo até 7.404.