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20.05.2026 02:47 PM
O petróleo reage às declarações de Trump

Escalada ou desescalada? O mercado do petróleo continua indeciso e reage violentamente a cada manchete vinda do Oriente Médio. A apreensão, pelos EUA, de um petroleiro iraniano impulsiona o Brent para cima, enquanto as discussões da NATO sobre escoltar navios pelo Estreito de Ormuz pressionam o crude do Mar do Norte para baixo. A retórica da Casa Branca continua a adicionar volatilidade.

O presidente dos EUA, Donald Trump alterna entre ameaçar o Irã — afirmando que "o relógio está correndo" — e, segundo relatos, cancelar uma ordem já preparada para retomar ataques, a pedido da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, os países mais afetados pelas ações retaliatórias iranianas. Esses governos têm um incentivo claro para pressionar os EUA a prolongarem o cessar-fogo. Trump também reiterou o seu argumento habitual de que qualquer conflito armado terminaria rapidamente e de que o Irã deseja um acordo.

Fica uma sensação de déjà vu. O mercado do petróleo parece preso num ciclo repetitivo: os ralis do Brent são sustentados pela rápida queda dos estoques, enquanto os comentários de Trump periodicamente desencadeiam vendas. A impressão é de que já vimos este cenário antes — e de que uma nova escalada continua no horizonte.

Dinâmica do volume de refino na China

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Não confie apenas nos níveis de estoques. Os Estados Unidos continuam a aumentar as exportações de petróleo, apesar da quinta semana consecutiva de redução dos estoques. A Bloomberg prevê retiradas adicionais de 9,1 milhões de barris — a maior queda desde setembro.

A China está a reduzir as importações, o que já se reflete na atividade de refino: o processamento caiu 11% em abril, para 54,55 milhões de toneladas, enquanto a utilização da capacidade de refino recuou para 67% — o nível mais baixo desde o início dos registos, em 2021.

Ao mesmo tempo, os EUA prolongaram a autorização para compra de crude russo já carregado em petroleiros — a isenção anterior expirou em 17 de maio. Dada a atual estrutura do mercado, retirar um dos maiores produtores mundiais de cena poderia empurrar o Brent para máximas históricas, um cenário que Washington procura evitar. O Reino Unido seguiu o exemplo dos EUA e também autorizou compras de produtos petrolíferos russos.

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Em resumo, os Estados Unidos estão a influenciar a oferta global, enquanto a China afeta a procura — ações que, em conjunto, ajudam a amortecer o impacto sobre a economia mundial. Ainda assim, uma forte alta dos rendimentos ameaça desencadear uma recessão e reduzir a procura global por petróleo. Essa limitação cíclica sugere a existência de um teto para os preços; saber se esse limite se manterá dependerá dos próximos desdobramentos.

Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que a incapacidade do Brent de superar a área de valor justo em US$111/barril aumenta o risco de formação de um padrão de reversão 1-2-3. O nível de pivô a acompanhar é US$105,80 — uma quebra abaixo dessa faixa reforçaria a continuação do recuo e validaria a pressão vendedora. Em contrapartida, um repique a partir desse pivô seria um argumento favorável para montar posições de compras.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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