Dólar americano oscila, mas resiste às pressões
Segundo pesquisas do Bank of America (BofA), as preocupações com um colapso iminente do dólar norte-americano parecem prematuras, apesar das pressões de curto prazo sobre a moeda.
Nas últimas semanas, o dólar tem sido negociado com elevada volatilidade. Em alguns momentos, chegou a registrar mínimas de vários anos, alimentando discussões sobre uma estratégia de “vender a América” e um possível enfraquecimento estrutural da moeda. No entanto, a avaliação do BofA dos dados de mercado ainda não sustenta um cenário de fuga em massa de ativos dos EUA.
O Bank of America mantém uma visão estruturalmente pessimista para o dólar no longo prazo, projetando um enfraquecimento gradual ao longo de 2026–2027. Ainda assim, os analistas ressaltam que esse movimento tende a ocorrer de forma lenta e ordenada, e não por meio de uma liquidação abrupta.
Os dados de posicionamento e fluxos de capital não indicam uma saída coordenada de ativos norte-americanos. O prêmio de risco do dólar subiu apenas de maneira moderada, e o mercado de opções não mostra um aumento significativo de posições vendidas em comparação com três meses atrás.
Os fluxos entre diferentes mercados reforçam essa leitura. As entradas em ações e títulos dos EUA não apontam para uma venda maciça por parte de investidores estrangeiros. Desde o início do ano, houve apenas um único dia em que o dólar e o mercado acionário americano sofreram forte pressão simultaneamente — um padrão que, segundo o BofA, não é compatível com um colapso generalizado da moeda.
Em vez de vendas em massa, o banco destaca que a reação mais provável é um aumento do hedge cambial por parte de investidores globais. Gestores europeus, por exemplo, podem ampliar a proteção contra a exposição ao dólar, o que exerceria pressão gradual de baixa sobre a moeda, sem provocar movimentos desordenados.
Os indicadores macroeconômicos também não sinalizam risco relevante de perda de confiança no dólar. As expectativas de inflação permanecem estáveis e, embora os riscos fiscais sejam amplamente debatidos, ainda não geraram estresse significativo nos mercados financeiros.
O BofA observa ainda que parte da esperada desvalorização do dólar pode refletir o fortalecimento de outras moedas, e não apenas fragilidades da economia americana. O banco destaca fatores que podem sustentar o euro, como crescimento econômico estável na zona do euro, estímulos fiscais na Alemanha e possíveis medidas de incentivo na China. No médio prazo, ativos europeus também podem se beneficiar do aumento dos gastos com defesa e de novos acordos comerciais.