BCE quer reforçar o papel do euro como ativo de refúgio à medida que a hegemonia do dólar enfraquece
O presidente do Banco Nacional da Áustria, Martin Kocher, afirmou que as instituições financeiras europeias devem se preparar para um possível aumento do uso do euro como ativo de refúgio, em meio a um enfraquecimento gradual do dólar norte-americano. No último ano, o euro acumulou valorização de cerca de 14% frente ao dólar, impulsionado por mudanças imprevisíveis na política comercial dos EUA e pelas expectativas de investimentos robustos da Europa em defesa e infraestrutura. Ainda assim, o dólar continua a dominar as reservas globais, com aproximadamente 50%, enquanto o euro responde por cerca de 20%.
Kocher disse à Reuters que os formuladores de política precisam estar preparados para esse cenário, embora promover deliberadamente o status internacional do euro não seja o objetivo do regulador. O BCE já discute instrumentos para estabilizar o sistema financeiro global, incluindo operações internacionais de recompra (repo) e linhas de swap. Essas ferramentas ajudariam a lidar com eventuais entradas de capital e com a volatilidade, caso aumente a procura pelo euro como ativo seguro.
O chefe do banco central austríaco acrescentou que não há problemas de estabilidade na atual orientação de política monetária do BCE. Um debate sobre eventuais ajustes só ocorreria diante de mudanças significativas na economia global. Desde junho de 2025, o BCE mantém as taxas de juros inalteradas, uma vez que a inflação na zona do euro está próxima da meta de 2%. A maioria dos analistas espera que a autoridade monetária mantenha a taxa básica estável ao longo de 2026.